Celebrado neste 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é uma data que representa a luta das mulheres por seus direitos e igualdade em todos os setores da sociedade. Se muito já foi garantido e tanto ainda está por vir, no campo da engenharia não é diferente.
O Senge-SC tem hoje, pela primeira vez em 53 anos, uma engenheira na presidência, Roberta Maas dos Anjos, que há 20 anos atua na área, já tendo exercido diversos cargos de destaque, como presidente da Casan, atualmente é diretora da Mútua-SC e tomará posse no próximo dia 16/03 na diretoria da Federação Nacional dos Engenheiros (FNE). Ela entende que esse protagonismo é essencial na criação de oportunidades para abrir portas a outras mulheres, mostrando que o espaço de liderança está ao alcance de todas que acreditam em seu potencial.
Um dos principais desafios, para a presidente do Senge-SC, foi vencer preconceitos e estereótipos relacionados ao papel da mulher na engenharia. “Em muitas ocasiões, foi necessário provar minha capacidade técnica e gerencial de forma mais incisiva, enquanto para colegas homens a aceitação era quase automática. Além disso, equilibrar a liderança firme com a sensibilidade que valorizo como parte do meu perfil foi um exercício constante, mas recompensador”.
Outro desafio, segundo Roberta, foi fomentar um ambiente que promovesse a equidade de gênero, pois, muitas vezes, os obstáculos não estavam apenas nas percepções externas, mas em estruturas organizacionais enraizadas. “Trabalhei para implementar políticas inclusivas, priorizando o desenvolvimento de equipes diversas, pois acredito que a combinação de diferentes visões e habilidades é o que realmente impulsiona a inovação e o sucesso”.
Roberta tem ao seu lado, na diretoria do Senge-SC, a vice-presidente Karla Maria Zavaleta, a diretora de Comunicação Francilene Freitas Nascimento e a diretora suplente Carolina dos Santos Kuhn de Carvalho para, juntas, fomentarem um ambiente que promova a equidade de gênero e estabelecerem redes de contato com outras mulheres líderes e colegas inspiradoras, fortalecendo a confiança e trazendo novas perspectivas.
Gratidão pela experiência
Tudo isso em um meio predominantemente masculino. Apesar de estar entre os seis países que mais formam profissionais nesta área, em 2022, apenas cerca de 19% dos profissionais de engenharia no Brasil eram mulheres registradas no Confea/Crea. Karla Maria Zavaleta escolheu a engenharia por intermédio do pai, que é técnico em segurança do trabalho, e iniciou sua jornada no Senge-SC participando das reuniões e atividades, quando começou a trabalhar na SCGÁS. Ela afirma ser grata por todas as etapas por que passou durante todos esses anos. “Ser engenheira é uma experiência incrível, que recomendo a outras mulheres pelo desenvolvimento do lado racional e prático, sem perder a criatividade e as emoções”.
Graduada em engenharia civil pela Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), Karla fez também curso de especialização em engenharia de segurança, oportunidade em que passou a participar, ainda como estudante, das reuniões da Associação Catarinense de Engenharia de Segurança do Trabalho (Acest). Anos depois, foi conselheira no Crea-SC da Câmara Especializada de Engenharia de Segurança do Trabalho, chegando a ser coordenadora em 2017. Há 17 anos trabalha na Companhia de Gás de Santa Catarina como engenheira de Segurança, Meio Ambiente e Saúde.
Inspiração para as novas gerações
Lutar por mais visibilidade, inclusão, igualdade de tratamento e oportunidades, combatendo preconceitos e assumindo responsabilidades e cargos de liderança, é primordial para que as mulheres na engenharia possam ser modelos inspiradores às gerações futuras. Francilene de Freitas Nascimento recomenda às novas colegas e a quem tem a profissão como objetivo, que venham dispostas a lutar por um mundo mais justo e igualitário, já que, segundo ela, a profissão ainda é um ambiente predominantemente masculino. “Muitas vezes é necessário abrir mão dos projetos que foram idealizados para a vida pessoal a fim de se dedicar exclusivamente à profissão, pois para se destacar a mulher engenheira precisa ser um ponto fora da curva”.
Francilene graduou-se em engenharia civil pela Universidade Federal de Juiz de Fora/MG em 2009, e a escolha pela profissão começou a ser desenhada quando fez o curso de edificações pela Escola Técnica Federal. O estágio na construção do primeiro shopping da cidade foi determinante para que fosse contratada por uma grande empresa como estagiária, tendo chegado rapidamente à gerência de Qualidade. A partir de 2011, iniciou sua trajetória na área de gestão de obras de saneamento, onde atua até hoje em uma grande empresa privada do setor.
Pulso firme e empatia
Se, por um lado, ainda há preconceitos contra as mulheres assumirem responsabilidades e cargos de liderança, a educação tem um papel fundamental para que as novas engenheiras encontrem um novo caminho à frente. “Somos muito questionadas, em especial no início, se teremos condições para as funções exercidas”, comenta Carolina dos Santos Kuhn de Carvalho. Ainda assim, ela afirma ser muito feliz na profissão e destaca a importância de saber conciliar a empatia com o pulso firme. “É fundamental saber ser enérgica quando necessário e rir quando a situação permitir, pois isso nos torna especiais como profissionais”, destaca.
Engenheira civil e de segurança do trabalho, Carolina também é oriunda do ensino técnico na área, oportunidade em que descobriu seu gosto por projetos e cálculos, vindo daí o estímulo para a engenharia. Sua primeira colocação foi em uma grande obra de conservação de asfalto no Oeste de Santa Catarina, obra de infraestrutura rodoviária, área em que atuou por muitos anos. A especialização em segurança do trabalho em Curitiba trouxe-lhe um novo desafio, desta vez no Crea-SC, onde tem o orgulho de tocar a parte de obras da casa da engenharia. Muito engajada nas entidades de classe, é também diretora executiva da ONG Engenheiros Sem Fronteiras, núcleo de Florianópolis e integra a diretoria da Acest e da Associação dos Engenheiros Civis de Florianopolis e Região – Assenci.
Senge-SC Mulher
Criado em julho do ano passado, o Senge Mulher – Núcleo das Mulheres do Sindicato, foi uma iniciativa da presidente do Senge-SC, Roberta Maas dos Anjos, que entende a importância da iniciativa como a criação de oportunidades para as engenheiras trocarem experiências sobre os desafios do dia a dia, porque a engenharia nem sempre está preparada para receber as mulheres.
“O Senge-SC Mulher é uma iniciativa essencial para promover a igualdade de gênero na engenharia e tem como missão apoiar, integrar e dar voz às engenheiras, oferecendo uma plataforma onde possam compartilhar experiências, discutir desafios e buscar soluções coletivas por meio de eventos, workshops, palestras e programas de mentoria, o núcleo vai trabalhar para fortalecer a rede de apoio entre as profissionais, incentivando a troca de conhecimento e a colaboração.
Entre as metas de atuação, está o apoio profissional e pessoal, mentoria e desenvolvimento, promoção da igualdade de gênero: networking e visibilidade e advocacia e representação. “Com isso, será possível desempenhar um papel decisivo na representação das engenheiras junto a entidades governamentais e institucionais, lutando por políticas que promovam a igualdade de oportunidades e condições de trabalho justas”, afirma a presidente do Senge-SC.